O preconceito com o que é diferente

sexta-feira, janeiro 20, 2017

Geralmente temos medo do que não conhecemos. Esse medo pode ser do futuro, de um passado, de um lugar novo etc. Pode ser um medo bobo, como quando as mães falam para os filhos que Deus vai castigar se fizerem arte ou um medo tão profundo que gera ódio e violência.

Quantas e quantos casos vemos de casais homoafetivos que são espancados ou hostilizados nas ruas?Quantos candomblecistas não são olhados com repulsa quando trajam sua roupa ritualística em público? E o que isso gera? Mais medo. Medo de se expressar, medo de ser quem é verdadeiramente.



Todo preconceituoso é um medroso. Ele se sente ameaçado pelo diferente, pois quer que todos sigam seu modelo conhecido de "verdade". Ele conhece de ouvir dizer e julga. Conhece pelos olhos de outro preconceituoso e repete aquela informação como um único e absoluto caminho.

Eu não acredito que exista um único caminho para todas as pessoas. Não acredito num padrão que envolva toda a diversidade que encontramos no nosso imenso mundo. Cada ser humano é um pequeno universo e isso é maravilhoso. 

E por que estou escrevendo sobre isso? 

Porque eu também tive medo. Medo de expressar a minha verdade e ser hostilizada no campo religioso. Eu não tenho uma espiritualidade tradicional, apesar de muitos acharem que sou evangélica, pelo meu jeito reservado e meu respeito ao próximo. Mas isso não tem a ver com religião e sim com a educação.

Por esse medo eu abandonei meu caminho religioso diversas vezes. Eu mesma me deixava ser influenciada por pensamentos de ojeriza que, refletidos dos outros, penetravam meu emocional. Nós temos um plano de fundo muito duro no Brasil. Com a defesa da verdade única e absoluta que vai libertar todos nós. Mas isso é ainda pior em países como os Islâmicos. 

Eu já ouvi de parentes coisas como "Você já saiu daquela prática com o Diabo,né?". E Diabo é sempre o outro. Sem entender cria-se uma névoa de intolerância e temor com algumas fantasias hollywoodianas. 

E hoje eu senti necessidade de abrir os véus, de falar um pouco sobre o caminho que trilho há quase 10 anos. Minha prática religiosa é a Wicca, que é uma das vertentes do Neopaganismo e também é conhecida como bruxaria moderna. E aí está o nome que todos temem "bruxaria". Adoração ao demônio? Não e não. Nessa prática não se cultua, compactua ou simpatiza com nenhum demônio. 

Bruxaria é uma técnica que envolve ervas, cristais e manipulação das energias sutis do universo através do poder da mente. Resumidamente. Ela pode ser um estilo de vida ou um ofício (com práticas ocasionais) ou ser uma religião que daí tem várias correntes filosóficas. Uma das correntes filosóficas da bruxaria moderna é a Wicca, a qual eu sigo.

A principal diferença da Wicca não é, como pode se pensar, a prática de magia, mas sim sua cosmologia. Nesse caminho acredita-se em uma Divindade primordial, a Deusa Tríplice, que juntamente com seu consorte, o Deus Cornífero criou todas as coisas que existem. A força que rege a vida são duas polaridades, como o Yin e Yang, Dia e Noite, Claro e Escuro, Lua e Sol. E nossa busca principal é o equilíbrio entre essas duas forças. Não buscamos a iluminação,mas sim o caminho do meio, pois todas as extremidades geram desequilíbrio. O sol pode cegar tanto quanto a escuridão. 

Nós buscamos a integração com a natureza, vendo-a como o corpo sagrado da Deusa. Buscamos a paz, autoconhecimento e a recuperação e reverência do sagrado feminino. Buscamos honrar a nossa ancestralidade entendendo que o ancião é um sábio que tem muito para nos ensinar. Entendemos que cada um é livre para fazer o que desejar, desde que não prejudique outra pessoa e que cada ato volta triplamente para nós, com a nossa força, a força do objeto do foco e a força gerada desses dois. Entendemos que a magia é natural e é a habilidade de movimentar energias através da nossa força de vontade. Entendemos que todas as formas de amor são válidas, belas e expressões do diamante multifacetado que é a Deusa.

Claro que isso é só uma pincelada na Wicca, nunca poderia explicar toda organização de um caminho religioso em um artigo. Mas meu o objetivo é abrir essa caixa de pandora e mostrar que o medo pode fazer a gente ver as coisas sempre como monstros prontos a nos devorar. 

O que é distinto não é uma ameaça. Existem milhares de formas de se entender os mistérios da vida. Existem milhares de formas de amar e, uma das coisas que dizemos é que a Deusa ama a diversidade, pois ela própria é a diversidade. Pense em quantos tipos de flores existem, em quantos pássaros voam no céu e em quantas pessoas caminham sobre esse planeta! 

E com esse texto eu alivio meu coração do sentimento de esconder minha religião por... medo. Medo de ser diferente, de pensar diferente, de reverenciar a força criadora de forma diferente. E com esse texto eu quero aliviar você que está lendo do peso de precisar seguir um padrão. 

Então, não tenha medo de dizer que você é diferente, pois desde que nasceu isso já é uma verdade sobre você e sobre todos nós.Sua vida é única e você tem o direito de expressar sua verdade e brilhar. Pois quando uma pessoa se empodera, ela empodera mil outras.



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